quinta-feira, 26 de março de 2009

2 - O QUE É O AMOR?

É a convivência? É a conveniência? É a aceitação? É o sexo? É ter filhos? É esperar um futuro? É se auto-realizar? É realizar o outro? É sofrer? É chorar? É brigar? É não aceitar o outro? É ter direito de propriedade? São as inseguranças? Os medos? É esperar mais? É esperar menos? É... alguma coisa?

Alguma certeza? Incerteza? Diz aí? É tudo o que sabemos?

Qual é o limiar entre o mar e o oceano?

999 perguntas, 1 resposta?

ô ponto de interrogação cósmico.

quarta-feira, 25 de março de 2009

1 - FIM DA CICLOVIA A 50M

Identidades anônimas, nômades
Que simplesmente existem e tentam ser
Sem algo a se mostrar
Ou a se realizar para outrens
É o Ser para o Nada e
Não vangloriar o que se É, para o Tudo.
Identidades anônimas, nômades
Seres microscópicos que andam e comem
E falam e não vêem sentido em nada
Porque Ser Nada é Tudo.
Tudo é o Universo.
Cada universo vivo se expande e se contrai
Também sofre, pelo eterno sofrimento inerente ao ser;
No eterno ciclo existencial dos seres.
A liberdade de ser é também sair ou
Supor que poderíamos sair deste ciclo, desde círculo.
Somos a crítica da vida. E a vida é indefinível em muitos níveis,
Por isso sofremos. O que dizer então depois disso?
Vai e vem que somos, a Mudança é a constância dos seres...

Estagnar os seres é como negar a vida.
Como aceitar então a Mudança? Como ser sempre
E sempre mudando?
Penso em Samsara, meu estômago dói,
Se revira como num círculo, sou Eu e Sou muitas
Todos os amigos e amantes que não tenho
Nenhuma informação é capaz de suprir os meus males de Ser

Os males do Brasil são: Amor, Preguiça e Compaixão.
É preciso estar aqui e agora, minha mente foi e não voltou.
Eu nasci e escolhi não estar mais neste lugar.

Quem sou eu? Onde estão os moldes?
Quero algum para vesti-los.
A carapaça de falar de uma profissão, de um casamento, de uma família e de filhos!
Sim, de filhos! Como poderia pensar...
Não quero estar aqui, não quero os moldes de Ser, mas também não quero sofrer.
Tantos dias sem escrever que até me perco.
As experiências do cotidiano parecem banais, parecem estáticas e desinteressantes.

Felicidade é para pouco acessar.
Onde estou eu? Onde está o outro?
Eu quero é pra barriga voltar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

a caminhada subjetiva ou a transformação

16:04"A imagem, a transfiguração, o retorno, a representação, o labirinto, o desenrolar dos nós, o fim da meada é perceber o desdobramento da identidade em identidades sucessivas"
Parece que ultimamente não tenho me lembrado do que fui, ou pelo menos, não tenho lembrado de forma próxima todos os anos que passaram. Há um mistério no passado e um distanciamento de mim mesma. Os anos pareceram eternos e longíquos, aparecem se dissolver de alguns meses pra cá. Eu, na verdade, tomei consciência disso recentemente. Tomei consciência do que fui, das inúmeras identidades que se sucederam, de como me sentia distante de meu EU criança, do meu EU adolescente ou mesmo do meu EU de meses atrás. Um estranhamento de viver a cada segundo.
Não sei bem como entender tudo isso hoje, talvez isso tenha acontecido exatamente por processos de transformação de entendimento do HOJE, de viver o presente, de permitir que esta possibilidade tão simplória e corriqueira de nossas falas, realmente aconteça: Consciência do estranhamento, do que não é rotineiro e massante e dos minutos irreais do presente.
Um momento de loucura é o ponto culminante para isso se desenvolver. Quando enlouquecemos para nós mesmos (e às vezes até para os outros), é neste momento que tudo aflora, todos os potenciais, tudo o que gostaríamos de ter vivido ou ao menos pensado em realizar. E digo, este momento aconteceu pra mim e felizmente, foi enquanto jovem, foi antes da morte... Houveram inúmeros tempos que tive "preparatórios" disso, mas foi somente no Dia que deveria que peguei minha mala e resolvi sair. Sem retornos, só levando meus afetos e minhas dores.
Hoje, eu ainda levo os afetos, cada dia estão mais resolvidos que antes. Continuo com as dores, mas procuro transformá-las em dores no corpo ou nas costas, ao invés de "dores no peito", pela força que preciso na viagem. Viva, a caminhada me transforma e é por ela neste momento que continuo vivendo.