quarta-feira, 18 de março de 2009

a caminhada subjetiva ou a transformação

16:04"A imagem, a transfiguração, o retorno, a representação, o labirinto, o desenrolar dos nós, o fim da meada é perceber o desdobramento da identidade em identidades sucessivas"
Parece que ultimamente não tenho me lembrado do que fui, ou pelo menos, não tenho lembrado de forma próxima todos os anos que passaram. Há um mistério no passado e um distanciamento de mim mesma. Os anos pareceram eternos e longíquos, aparecem se dissolver de alguns meses pra cá. Eu, na verdade, tomei consciência disso recentemente. Tomei consciência do que fui, das inúmeras identidades que se sucederam, de como me sentia distante de meu EU criança, do meu EU adolescente ou mesmo do meu EU de meses atrás. Um estranhamento de viver a cada segundo.
Não sei bem como entender tudo isso hoje, talvez isso tenha acontecido exatamente por processos de transformação de entendimento do HOJE, de viver o presente, de permitir que esta possibilidade tão simplória e corriqueira de nossas falas, realmente aconteça: Consciência do estranhamento, do que não é rotineiro e massante e dos minutos irreais do presente.
Um momento de loucura é o ponto culminante para isso se desenvolver. Quando enlouquecemos para nós mesmos (e às vezes até para os outros), é neste momento que tudo aflora, todos os potenciais, tudo o que gostaríamos de ter vivido ou ao menos pensado em realizar. E digo, este momento aconteceu pra mim e felizmente, foi enquanto jovem, foi antes da morte... Houveram inúmeros tempos que tive "preparatórios" disso, mas foi somente no Dia que deveria que peguei minha mala e resolvi sair. Sem retornos, só levando meus afetos e minhas dores.
Hoje, eu ainda levo os afetos, cada dia estão mais resolvidos que antes. Continuo com as dores, mas procuro transformá-las em dores no corpo ou nas costas, ao invés de "dores no peito", pela força que preciso na viagem. Viva, a caminhada me transforma e é por ela neste momento que continuo vivendo.

Um comentário:

Denise de Moraes Cardoso disse...

É o que acontece quando a vivemos somente no tempo em que podemos atuar, o presente. Ensaiamos um ritual de vida e morte, a cada inspiração e expiração, momento único em que somos e nos tornamos. Suas palavras são claras, úteis, sábias. Que você tenha sempre pensamentos elevados e auspiciosos. Jay Kali Ma!